Minha amada mãe, desconfiada que só ela, me disse, a vida toda, que se demora o tempo de uma caminhada por essa terra para se edificar a confiança e só um ato, num segundo, para "quebrá-la." Beyoncé e Lady Gaga, não muito longe em nosso tempo, dirão que a confiança é como um espelho: uma vez quebrado, você pode até colá-lo, mas ainda conseguirá ver a rachadura no reflexo.
Uma vez perdida, a confiança é quase tão difícil de se encontrar quanto formigas em um monte de terra preta. Essas pequenas criaturas, entretanto, quando se movem, fazem perceber que estão ali e, dessa forma, você sabe que elas existem. Assim é a confiança para a mulher traída. Vez ou outra ela "se mexe" e você sabe que, mesmo pequena, ínfima, ao "monte de terra preta" que você representa, ela existe e é essencial para você. Já com a desconfiança, é o oposto que acontece. A desconfiança é como as folhas secas nessa terra: só passa a ter utilidade quando morre e serve para deixar a terra mais forte. E esse processo é silencioso; você não precisa ver a folha morrendo para saber que ela está ali, agindo o tempo todo. Você não precisa desconfiar o tempo todo para saber que a desconfiança, a sua menor fraqueza, vai dar o bote, soltar o seu veneno e passar a não te deixar em paz pela "coceira" que causa.
Um presente, um elogio, um mimo a mais (qual o parâmetro da mulher traída?) são motivos para se perder o sono. A mulher passa, então, a buscar mais e mais motivos para não se permitir perder seu galanteador de vista. E os motivos vêm, também, da falta: de carinho, de calma, de cumplicidade, de olhares.
E como é difícil para ela ver-se perdida nesse mar de laços frouxos. O nó inicial do compromisso, depois de constantes banhos de descrença e lágrimas, tende a tornar-se algo que ata, mas não segura. Quão confuso é isso? A cabeça da mulher traída nunca é facilmente compreensível e, por isso, a vergonha e a vontade de mudar de dentro para fora. Para que o alvo de sua "admiração torta" não desista da difícil missão de fazê-la satisfeita.
O que move esse sentimento? O que move a vontade de mudá-lo? Ela sabe que o mundo não gira a seu modo e nem deveria; ela sabe que é errada. Tem raiva de si, medo dos outros e ódio daquele que desencadeou tudo de ruim que ela sente hoje, de maneira imprevisível e incontrolável, com esse novo amante, que só merece sua gratidão pela paciência e persistência em tentar colar, calmamente, ela, que é um frasco de vinagre - azedo e despedaçado.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
domingo, 25 de novembro de 2012
É...
É acordar com tempo aberto e sol, com uma piscina, uma rede ou uma espreguiçadeira ao dispor. É levantar de uma cama que te abraça, de um travesseiro que te recolhe e de um edredom que te aconchega. É ter o lindo do meu lado em todas as manhãs, em cima de mim em todas as noites e em todos os momentos, ao alcance de um 'dial'. É ter tempo livre pra viver. E viver, aí, é acordar de manhã, mas não de madrugada; é ter suco de laranja fresquinho à mesa, junto com um leite gelado com Toddy, batido no liquidificador; é um pão na chapa com manteiga de garrafa... e, ao fundo, o som da manhã nascendo, com os passarinhos cantando ou bicando a telha em cima da minha cabeça.
Antes disso, é o banho quase frio, aonde se esfrega tudo muito bem e se sai renovada. É hidratar o cabelo e, aí sim, sentar-se à mesa e esperar o dia começar, enquanto o creme faz efeito no cabelo (e o café, no organismo).
É jogar um vestido, vestir a sapatilha, se perfumar e sair. É sentir o dia e a tranquilidade que, de maneira inata, ele tem, mas, cadê, né? É poder deitar num gramado e ouvir criança brincando, enquanto folheia uma revista e, de vez em quando, desvia o olhar pra suspirar pelo companheiro que está ali, sempre junto.
É manter a casa limpa e perfumada, organizada; é trabalhar, também, claro, mas saber que o trabalho vai ficar lá quando você sair dele. É ter finais de semana para fazer o que se quer. É ir ao Guarujá, a Jundiaí ou ao Parque do Ibirapuera. É ter feriados pra ficar de preguiça na cama até o meio-dia, levantar e não saber se come (café da manhã ou almoço?), toma banho ou volta pra cama. É dormir pelada e com cheiro de adstringente na pele.
É ter a possibilidade de pensar em uma só coisa por vez. É formar uma dupla musical com ele aonde for - mas, melhor ainda, se for sob os olhos orgulhosos do meu pai. É a cerveja geladíssima na praça, rodeada de sorrisos e sem preocupação. É caminhar descalça e de mãos dadas na beira da praia, depois de amanhecer nela. É parar e contemplar, sem pressa. É estar com o cabelo cacheado, cheiroso e bonito. É me sentir bonita. E gostosa.
É a paz de acordar no domingo, sob o silêncio barulhento da tranquilidade. É a disposição de acordar na segunda. É o alívio de ir dormir na sexta à noite. É poder comer um lanche gorduroso ou uma salada bem temperada; uma bomba de chocolate ou um cheesecake com cobertura de framboesa; um arroz e feijão fresquinho ou um miojo de tomate.
É sentar aqui e escrever; é sentar lá e escrever. É poder ver ou ouvir e ajudar. É sentar e ler. É reconhecimento; é terem orgulho de mim. É pensar no futuro brilhante como algo palpável. E próximo. É pensar na vida a dois e sorrir, pela certeza de dias completos, repletos e em paz.
É ter a vida em suas mãos e poder fazer dela o que se quer, porque tem o tempo que quer, o dinheiro que pode e a tranquilidade que é pedida. Viver feliz, pra mim, é isso. É paz. Mas, antes disso, utopia.
Antes disso, é o banho quase frio, aonde se esfrega tudo muito bem e se sai renovada. É hidratar o cabelo e, aí sim, sentar-se à mesa e esperar o dia começar, enquanto o creme faz efeito no cabelo (e o café, no organismo).
É jogar um vestido, vestir a sapatilha, se perfumar e sair. É sentir o dia e a tranquilidade que, de maneira inata, ele tem, mas, cadê, né? É poder deitar num gramado e ouvir criança brincando, enquanto folheia uma revista e, de vez em quando, desvia o olhar pra suspirar pelo companheiro que está ali, sempre junto.
É manter a casa limpa e perfumada, organizada; é trabalhar, também, claro, mas saber que o trabalho vai ficar lá quando você sair dele. É ter finais de semana para fazer o que se quer. É ir ao Guarujá, a Jundiaí ou ao Parque do Ibirapuera. É ter feriados pra ficar de preguiça na cama até o meio-dia, levantar e não saber se come (café da manhã ou almoço?), toma banho ou volta pra cama. É dormir pelada e com cheiro de adstringente na pele.
É ter a possibilidade de pensar em uma só coisa por vez. É formar uma dupla musical com ele aonde for - mas, melhor ainda, se for sob os olhos orgulhosos do meu pai. É a cerveja geladíssima na praça, rodeada de sorrisos e sem preocupação. É caminhar descalça e de mãos dadas na beira da praia, depois de amanhecer nela. É parar e contemplar, sem pressa. É estar com o cabelo cacheado, cheiroso e bonito. É me sentir bonita. E gostosa.
É a paz de acordar no domingo, sob o silêncio barulhento da tranquilidade. É a disposição de acordar na segunda. É o alívio de ir dormir na sexta à noite. É poder comer um lanche gorduroso ou uma salada bem temperada; uma bomba de chocolate ou um cheesecake com cobertura de framboesa; um arroz e feijão fresquinho ou um miojo de tomate.
É sentar aqui e escrever; é sentar lá e escrever. É poder ver ou ouvir e ajudar. É sentar e ler. É reconhecimento; é terem orgulho de mim. É pensar no futuro brilhante como algo palpável. E próximo. É pensar na vida a dois e sorrir, pela certeza de dias completos, repletos e em paz.
É ter a vida em suas mãos e poder fazer dela o que se quer, porque tem o tempo que quer, o dinheiro que pode e a tranquilidade que é pedida. Viver feliz, pra mim, é isso. É paz. Mas, antes disso, utopia.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Falta educação na composição da clientela da CPTM
Sete da manhã. Trem lotado; calor; gente doente, com sono e mal-paga. Todos num mesmo vai e vem, numa mesma força de vontade. Alguns falam demais, outros, de menos e há, também, os que muito fazem e aqueles que não fazem nada.
Num vagão de trem, arrisco eu, deve caber cerca de 70, 80 pessoas sentadas. Não confortavelmente, mas acomodados - o que não é difícil, considerando-se o cansaço dos sortudos que estão ali, só se encostando, sem nunca terem se visto na vida. Em pé, neste horário, é possível acrescentar a esse número dos sentados, no mínimo, mais o dobro deles. É necessário toda uma gama de tentativas (mal-sucedidas e) diárias até que se consiga manter-se em pé, não preso entre uma axila e uma virilha masculina e se segurar (se com sorte, com a mão toda) numa das barras de apoio da composição.
Numa dessas experiências de 'encontrar a posição ideal para manter-se em pé durante uma hora sem dor e sem aperto', arrisquei parar em frente a um banco, de frente para a janela e de costas para uma das portas. Amigos... bad, bad idea. Nas estações com pico de novos passageiros, todos se movem pra dentro do trem numa mesma massa e azar de quem estiver na frente. Imagine você quem é a última pessoa possível à frente. Sim, quem está nessa posição que eu descrevi. Agora pense que, hoje, nesse lugar, nessa hora, estava uma grávida.
Segundo a Lei Estadual número 12.225 de 2006, "os assentos com indicação são de uso preferencial. Respeite esse direito". Respeitar... antes de fazê-lo, deveríamos, ao menos, conseguir ouvir o maquinista que repete isso umas centenas de vezes diariamente. Entretanto, o balanço da minhoca de sucata não faz audível a voz daquele que mal sabe o que acontece no interior das várias portinhas da minhoca; de dentro de seus poros - e onde, de tão entupidos, quase não dá pra respirar.
Assim como minhas paixões, resolvi dar um nome para a grávida e ver se dá pra entender melhor. Portanto, lá estava Maristela, 26 anos, grávida de seis meses do namorado/marido desleixado que ainda não comprou uma aliança - ou de algum affair da última domingueira de forró que participou em Franco da Rocha. Nessa cidade ela entrou e ficou do mesmíssimo jeito até a estação Piqueri. Seis estações e quarenta minutos depois. Por que ficou em pé? Porque todos sortudos sentados dormiam - não os culpo. Em partes. Por que, finalmente, se sentou? Porque dona Maria Aparecida, encarregada da limpeza na Rede Record de Televisão, 50 anos, três filhos, resolveu se levantar.
Fiquei olhando tudo aquilo com muita vontade de falar alguma coisa, mas estava muito atônita e cansada e acho que seria só falação, porque não iria mudar o tanto que ela já tinha ficado em pé. Não foi uma boa desculpa. Assim como o fato de os sortudos estarem dormindo por estarem cansados e, por isso, não cederem o lugar à Maristela também o é. O mínimo que uma pessoa que se permite infringir uma Lei Estadual (relatada da maneira mais facilmente compreensível, com linguagem coloquial, desenhos e texto curto logo acima da cabeça de todos) e sentar no assento preferencial pode fazer é ficar atenta ao que está acontecendo no vagão. Em todas as paradas, acordar, olhar à volta e ver se não tem ninguém mais velho, gestante, deficiente, obeso ou com criança de colo que queira se sentar. Se tiver, levantar sem bufar com bafo na cara de ninguém, delicadamente e fim; feito seu papel de pessoa educada. Difícil? Não mais do que lutar contra esse mal crônico que é a preferência pelo ignorar e pela ignorância.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Olheira da Composição: Episódio III
Por algum motivo que eu não vou saber falar pra vocês porque não fui atrás - dahooora, jornalista! (y) -, as estações estavam surpreendentemente vazias hoje. Em Morato, realizei meu procedimento padrão: procurei alguma porta livre de algum vagão, pra que eu pudesse entrar, sentar e terminar meu "Cantiga de Ninar" tranquilamente. Todo dia eu sento ali no chão, espremida, espremendo minha mochila contra a porta e ocupando o menor espaço possível; COMO meu livro; quando chega em Pirituba, levanto, porque, por algum motivo que eu também não sei, essa é a única estação cuja entrada de passageiros é do lado oposto a todas as outras.
Pois bem, lá estava eu, com sono, espremida e ansiosa pelo livro. Até que gritam:
- Moça, será que você pode levantar? Porque, aqui, tá difícil!
Eu juro que ia causar, só pra desestressar. Mas repensei, e estávamos todos numa mesma merda tão grande ali - amontoados a desconhecidos fedidos e bafentos, no fim de uma semana, com aquela chacoalhação - que preferi simplesmente levantar, sem nem pedir desculpa (afinal, POR QUE, né?).
"Sensível" como sou, achei que aquilo iria acabar com o meu humor. Fiquei bufando, com cara de cocô e parece que o cansaço e o sono, duplicaram. Pra piorar, não apareceu uma paixãozinha sequer naquele espaço onde "costumam ficar". Diria que, quanto a isso, errei em termos, porque a paixão apareceu, mas era mais platônica que todas as outras.
Seu nome: Felipe. O vi descendo a escada rolante da plataforma de desembarque, então deduzo que ele tenha entrado no trem da minha linha, mais especificamente, na estação Lapa. O mocinho estava a caminho do Jabaquara, onde trabalha de representante de vendas para a Tim. Ali está há três anos; passou de atendente de telemarketing para supervisor de setor para atendente de loja para representante de vendas. Foi o emprego que "tava teno" para ele poder bancar o curso de Arquitetura na Faculdade Belas Artes.
Um metro e 75, 60 quilos, cabelos castanhos recém-cortados, lisos e no estilo "joãozinho"; nada muito chocante. O que me fez ficar atônita foi o que reparei quando colei atrás dele na fila de espera da última porta da composição: a barba extremamente bem-feita e o perfume delicioso que exalava. Ele só mantinha uma mini-costeleta bem aparada, com uns três centímetros, no máximo; além de seu cheiro, que era uma mistura de banho e o perfume de algum ex-namorado meu. Sempre são inconfundíveis, né? É.
Felipe mora com a mãe e a irmãzinha num apartamento do quarto andar de um prédio simples, daqueles ao lado da Estação Lapa. A irmãzinha, Cíntia, brinca sozinha de boneca em seu quarto rosa todo dia, depois da escola; ela tem sete anos. A mãe, Cláudia, é secretária num escritório de advocacia, na Sé; namora um dos sócios há três meses e é separada do pai de Cíntia há três anos. Felipe nem imagina isso. Ela tem 42 anos.
Meu muso namora há um ano e meio. Um menino. Sim, está aí o motivo do platonicismo extremo de hoje. Qual mulher nunca se deparou com a situação de encontrar um cara maravilhoso e é só ele parar pra esperar um alguém que... é só ele abrir a boca que... é só ele arrumar o cabelo que... Obviamente, isso não o faz menos lindo. Combinando aquele rostinho limpinho e cheiroso, a camisetinha listrada em vermelho e branco, o shorts em jeans verde escuro cortado por ele mesmo e o tênis cano médio azul escuro, musinho era um colírio aos olhos - apesar da cara de merda - e partiu na primeira composição que parou depois que estávamos ali. Como sempre, no máximo, uns dois minutos.
P.S.: lembrei do sonho maravilhoso que tive essa tarde, vendo, de relance, as cenas do Caio Castro na novela. No meu mundinho, ele me namorava e vejam só, coreografava um balé e o apresentava como prova de amor para mim. Isso por quê? Porque, antes de dormir, o Vídeo Show mostrou 'algumas das maiores provas de amor das novelas' e tinham coisas equivalentes ao meu balé ♥ vou tentar reencontrá-lo. Até amanhã!
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Olheira da Composição: Episódio II
A regra é clara: quanto mais atrás você corre, mais distante a coisa fica. Como falei ontem que os posts seriam diários sobre minhas 'paixões', hoje, por pouco, fico sem nada pra apresentar a vocês. E olhem que eu estava mais atenta que o normal! Mas não, minha paixão do dia não quis ficar em casa. Ela só não estava no metrô e, sim, na minha faculdade <3
Possível nome: André. Logo que o vi, pensei em Roberto, mas, melhor analisando, vi que tinha de ser algum nome com A; meu muso tinha cara de A.
André é tímido tímido tímido e com aquela 'bobice' típica dos meninos de 17 anos. Não bobice de idiotice, mas uma bobice de ser meio sorridente o tempo todo. Suas mãos são inquietas e, antagonicamente, ficam o tempo quase que todo em que o olho - uns três minutos, no máximo -, no bolso. Tem, no máximo, um metro e 70, cabelos volumosos e... loiros. Isso me fez pensar e repensar várias vezes antes de dá-lo o título de 'paixão do dia'. Não gosto de loiros. Mas aí entendi o porquê: não bastando a estatura, o All Star no pé e o sorriso lindo, André tem barba, e ela é de um loiro forte e escuro, caminhando para o RUIVO! (Entendem agora?)
O pequenino usava uma camiseta d'O Poderoso Chefão, o que me levou a deduzí-lo como calouro de Rádio e TV. Explica-se aí, também, a bobice; só queria se sentir incluído naquela roda onde estava, distribuindo sorrisos em todas as direções. Parados em frente à lanchonete, ele não comia nada. E me olhou. E ficou olhando... E quem vê pensa que isso durou mais que quatro segundos. Desviei, mas percebi que ele ficou olhando minha sapatilha "azul-choque"; achei que só as mulheres na rua faziam isso.
Provavelmente, André é filho único e mimadinho, mas daquele tipo que já não quer mais isso para si e acredita que a faculdade vá desempenhar o papel de desprendê-lo do domínio e da dependência familiar. Sua mãe é professora na FAAP e seu pai, engenheiro. Eles têm um labrador peludo e gordo que corre na grama de suas casas na Freguesia do Ó. O barbudinho deve ser virgem e seu estilo musical favorito devem ser os clássicos do rock, do tipo Jimmy Hendrix, porque ele, muito provavelmente, toca guitarra.
Se não 'bobo', virgem e tímido, André namora. Ela tem quinze anos e eles estão juntos há um. Mariana faz o estilo menininha, também é filha única e estuda em algum lugar caro. Aos finais de semana, para irem ao cinema, ela usa vestido, sapatilha, bolsa carteiro e tiara.
To achando que viajei muito no André; acho que ele não é nada disso. Mas estou com sono. E não, meu trem não foi o que bateu hoje; estou bem e viva! Obrigada pela preocupação :}
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Olheira da Composição: Episódio I
(Lá vou eu pra mais uma tentativa de abertura de sessão dentro do blog...)
Todo dia, às 7h45, eu to na plataforma da Linha 1 Azul do metrô, na Estação da Luz. Amigo, você sabe o que é isso? Pois é, nem eu sabia. O que tem de gente apressada, sonolenta, com bafo e burra ali não tá escrito. Mas, também, como que num bônus de Deus pras maselas que acompanham o 'acordar às 4h45', também dá pra se apaixonar diariamente naqueles dois minutos que fico esperando a próxima composição.
Não é difícil, convenhamos. Estamos falando de São Paulo; estamos falando de dois milhões de pessoa por dia no metrô. Tem gente pra tudo quanto é gosto MESMO. E, confesso: pro meu é bem difícil de achar - pelo menos, nessa linha, nesses dia e horário. Entretanto, todo dia eu procuro um alguém pra quem eu olhe, me atraia (pelo menos, com a atenção) e, partir disso, eu consiga traçar um perfil dele.
Para começar bem - e com atraso -, vou falar sobre dois belíssimos que cruzaram meu caminho ontem. O primeiro, denominado por mim, "Robson", apareceu na fila das catracas da conexão CPTM/Metrô.
Robson estava a caminho de seu trabalho em Perdizes, naquela agência de Publicidade onde ele trabalha na Criação. Ou, então, naquela editora de revista em quadrinhos, onde é o colorista. Ele tem 22 anos, um metro e 80, calça 40 e tem um grau de hipermetropia no olho direito por trás daqueles óculos bonitos de hipster. Sua cabeça é raspada com a máquina dois, suas orelhas - se bem me recordo - são uns 12mm alargadas, cada uma.
Meu muso número um usa camisa cinza axadrezada em lilás, calça Vans preta e um tênis desses grandinhos de andar de skate - o que ele provavelmente faça aos domingos no Ibirapuera ou Villa-Lobos. O coração do menino está tomado por uma paixão que surgiu no final de semana - Estela; cabelos compridos e castanhos, magra e branquinha. Os pais dele são separados há cinco anos; hoje, mora com a mãe e o irmão mais novo, Felipe, de 12 anos. Robson é do tipo gentil, que paga cafés ou chicletes a amigos e compra um presentinho fofo para a mãe no Dia da Mulher. Ele está no terceiro ano da graduação no Mackenzie. E tudo isso eu sei por um minuto e meio de contato visual com sua nuca.
Alexandre não. Alexandre é o oposto de Robson - e digo isso em todos os sentidos, pois, se o muso dois não for gay, não digo nada...
Já dentro do metrô, Alexandre atrapalha a passagem com suas magreza e altura de múmia. Ele é requintado, do tipo que bebe vinho tinto, sentado em seu sofá branco de couro sintético, sob a meia-luz de um abajur, embalado por Natalie Cole ou Etta James. Sozinho, obviamente. Muito melancólico pelo cansaço da semana que acabara de acabar, ele olha as luzes da capital sob a sacada do seu apartamento no oitavo andar de um prédio na Vergueiro.
Alexandre se formou há dois anos em História da Arte pela Unifesp; ele é de Poá. Atualmente, trabalha na produção de exposições no Memorial da América Latina (e, erroneamente, escolheu ir pela Linha Azul e descer na Sé para fugir do trem pela manhã para a Barra Funda; tolo). Nessa segunda-feira, onde o tempo esfriou um pouco, ele escolheu a roupa de acordo com seu humor: marrom. Mocassins bem lustrosos, calça skinny, casaco de veludo com linhas verticais que aumentavam ainda mais sua silhueta e por baixo, uma camiseta preta de gola mini-rolê - se é que isso existe. Ombreiras, cachecol de uma linha que eu não sei o que é e cabelo castanho claro, liso, com leves luzes de um loiro quase de sua cor natural. Nos fones (inconfundíveis) do iPod, The Vaccines. Na bolsa carteiro (marrom), um bloco de notas em papel reciclável, uma caneta preta infincada na encadernação, diversos folders de exposições da cidade, carteira, chaves, um caderno (também em papel reciclável) e o iPad. Ah, sim, como esquecer? Ostenta um gigantesco relógio de pulso em ouro e ali enxergo 7h55. Ele está inquieto e, provavelmente, atrasado, como eu, que deduzi tudo isso nos próximos dois minutos que separam seu ponto final do meu.
-
Hoje encontrei a Anne na estação e isso me tirou a concentração de toda a manhã (talvez, pra não dormir) e me impediu de achar uma paixão. Espero voltar aqui amanhã; esse negócio de olhar com(o) olheira é bacana. Como já diria Edward Norton em Clube da Luta - obviamente, não com, exatamente, essas palavras -, a falta de sono faz com que você não saiba mais se está dentro de um sonho ou acordado. Acho que vou usar isso a meu favor (ou da minha criatividade).
domingo, 29 de janeiro de 2012
Coisas que perdem o sentido com o fim de um namoro
1- Feriados como Páscoa, Natal, Ano Novo, Dia da Mulher/do Homem e obviamente, Dia dos Namorados - ainda pior quando o último cai no dia do seu aniversário;
2- Acordar aos domingos de sol, pensar em sair nas sextas de frio, descansar nos feriados;
3- Investir em tratamentos estéticos - coisa que você nunca fez -, roupas, sapatos, acessórios, maquiagem;
4-Filmes de Comédia Romântica;
5- Ter novidades pra contar - porque as pessoas nunca vão ser tão atenciosas e se animar tanto com estas quanto seu namorado;
6- Estar inteirada com a programação cultural da cidade e demais roteiros turísticos;
7- Pensar em planos futuros - porque ele passa a ser o próximo segundo e só;
8- Saber cozinhar, ser uma pessoa boa, aprender sempre mais;
9- Estar sempre com a roupa de cama, a casa, as unhas e o corpo limpos e cheirosos;
10- Acreditar em/namorar com outras pessoas.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Coisas que não vou mais fazer voltando a morar com minha mãe
Primeira e mais significativa mudança (que já sentia a cada vez que voltava a Jundiaí): no more fazer comida, usar o computador, lavar louça ou realizar qualquer outra atividade pelada;
- Deixar louça de um dia para o outro na pia;
- Guardar panelas grandes com uma colher de comida dentro só pra não ter de lavá-la;
- "Jantar" amendoim porque não tenho dinheiro;
- Manter papéis acumulados em todos os cantos da casa;
- Ficar mais de uma semana sem passar, ao menos, uma vassoura nos cômodos;
- Ouvir o cd do Jeneci ou assistir o DVD do Queens of the Stone Age com o volume MUITO ALTO;
- Apagar a luz para ver TV (sim, minha mãe não consegue);
- Abrir a geladeira e pegar uma cerveja em plenas 15h de uma terça-feira (unicamente, por me incomodar);
- Não arrumar a cama um dia sequer da semana;
- Ficar com a janela aberta à noite;
- Voltar a pé às 4h da manhã - às vezes, sozinha;
- Meditar;
- Fazer tudo a pé;
- Fazer tudo sozinha.
(e outras cositas más que o dia-a-dia nos comprova...)
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Goodbye, so long, farewell!
Não tem um santo dia, desde agosto/setembro em que não acorde e pense, meu estômago embrulhe e me venha um mau-humor incontrolável, resultado do receio. E ele é maior que tudo. No começo, eu dizia que o que mais doía era saber que o que tinha de ser feito não era o que eu queria fazer e que, o que eu queria fazer, eu não conseguia, por saber disso.
A indecisão durou quatro meses. De muita conversa, muitomuito choro, muitos planos, muitas soluções... sem ninguém me dar respostas - porque, infelizmente, eu dependia delas para me mover. Foi preciso um tapa na cara pra tudo se tornar tão insuportável a ponto de 'infecctar', até mesmo, aqueles distantes 500 km de mim. E aí a resposta veio de quem mais devia.
A partir dela, se as dúvidas não haviam mais, o caminho não foi facilitado, mesmo assim, pelas pedras que foram aparecendo. Eu, no meu espírito intenso, nisso também não falhei. Uma lasca tornava-se a uma pedra do tamanho da "Da Baleia" e eu quase desabava - QUASE, mais uma vez, graças aos distantes.
E graças a Deus não desisti. Eu sei o que estou deixando para trás e, acima de tudo, QUEM estou deixando e isso doi demais. Mas há sempre uma anestesia: os 500 km que podem ser supridos sempre que o dinheirinho sobrar; que podem ser transformados e convertidos em minutos pela internet; os telefonemas caríssimos, feitos, sempre, com a desculpa do nível alcoólico no sangue.
Eu sei disso. Sei do que estou indo atrás. E a sensação satisfatória que me dá, o medo que some, a alegria que grita em pensar nos dias que faltam... tudo isso que acontece, ao mesmo tempo, em momentos como agora, ouvindo "Guerreiro" do Curumin, me faz só pensar "como demorei tanto tempo?". Só creio que seja pra valorizar tudo que fiz, tive, farei, tenho e estou buscando ter. Deus me abençoe! E obrigada por tudo de bom e ruim, São João. Vou, sim, morrer de saudades!
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Meditação Universitária
Respira, Laís, respira que são só mais dois anos e a liberdade será infinita.
Respira, que logo logo seu salário, no mínimo, triplica e, aí, nada mais de contar moedas pra comprar a ração da gata; 'passar fome' no fim do mês e vontade nele todo.
Respira, que pode ser só um semestre muito ruim da faculdade.
Respira, que em muito breve você tem a vida que sempre quis pra si. E pra vocês.
Respira, Laís, poxa, não era o que querias? Então respira.
Respira que aquele 'lá' tão longe, tão distante, tão inatingível, está cada vez mais perto. E aí a sexta vai acontecer sempre, os domingos voltarão a ser azuis, a comida muito mais gostosa e os lençóis sempre mais cheirosos e aconchegantes que os de agora.
Respira, que logo as escolhas serão só suas.
Respira, que o dia de encontrar todos ao alcance dos seus olhos está chegando.
Respira, porque essa proposta de hoje há de ser só a primeira.
Respira, que tem quem te espere, e torça, e queira, e entenda, e ajude.
Respira, que tudo há de compensar.
Respira e vai. Antes que o fôlego acabe.
-
Aqui onde eu estudo, sinto que sou uma das que mais sente o fato de estar longe. Longe de onde se pertence. Longe de onde se deveria. Longe. Quando as crises quase que diárias de ausência de um sentido disso tudo me acometem, eu respiro. Funnnndo... até passar. Às vezes eu choro, quase que como uma expiração. E como uma falta de ar, vem aquela tromba d'água. Até sair dessa atmosfera rarefeita demais pros meus pulmões infantis. Mas o sair, na verdade, nunca é, realmente, sair. É só anestesiar com a voz da minha mãe do outro lado da linha. Do estado.
E se eu não respiro, a confusão é tanta que, no fim, não sei o que fazer; não sei o que estou fazendo. Esse é um desses momentos. Eu deveria estar fazendo uma coisa. Mas só faço outras. Quase como foi durante esse semestre inteiro: eu deveria estar estudando, me dedicando, aprendendo... mas estava ocupada demais pensando em esclarecimentos como esse - ou só internos -; pensando na próxima ida pra casa; pensando em dormir e não levantar até o ano acabar.
Mas sou obrigada a estar atenta à minha respiração diariamente. Sou obrigada a meditar. Senão, me perco. E esse é um presente que ainda não posso me dar. Então respiro, porque é sempre o melhor remédio.
E, com vossa licença, esse foi um texto bem pessoal, daquele jeitinho que eu adoro, mas que vocês nunca tiveram acesso.
Mais ou menos isso http://letras.terra.com.br/paolo-nutini/692112/
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Sessão Teoria, primeira edição
Seguindo uma bela idéia de minha amiga Luana (ou, ainda, @Luana_u), resolvi criar uma sessão aqui no Blog - além de uma outra na qual estou trabalhando e estou ansiosa pra pô-la em prática; aguardeemmmmm *Sílvio Santos style*.
Nessa sessão "Teoria" lançarei teorias pensadas por mim, diante de determinadas situações. Teoricamente, teorias, entendem? Quando vejo algo e começo a pensar sobre, idéias fazem 'pop!' na minha cabeça e coisas que (para mim) fazem sentido começam a surgir. Agora vou tornar públicas tais idéias, além de aceitar novas propostas para essa sessão.
-
Começo com uma idéia que brotou ontem.
Resolvi participar de uma sessão de meditação coletiva. A sessão inicia-se com meia hora de "dança" para ativação da célula hipófise (?), que contribuirá para a concentração na meditação, que vem em seguida. Durante essa dança, emitimos um mantra, "Baba Nam Kevalam" (algo como "o amor de Deus está em tudo"). E aí vem minha teoria.
A aceitação de religiões orientais está cada vez maior hoje em dia. Obviamente, não tenho dados estatísticos, mas, como disse, não são teorias reais; são idéias. Essa minha impressão parte do círculo que frequento, das pessoas que conheço e de coisas que vejo. Enfim.
O que pensei é: visto essa maior aceitação de religiões estrangeiras e suas culturas, estaríamos nós fugindo de nossas religiões e culturas consagradas? E ainda: se sim, estaríamos nós fazendo isso porque a proclamação do divino, seu "evangelho" e tudo que se relaciona a essa religião é menos "vergonhosa" quando feita em uma língua ou a um modo que não um dominado por todos?
Hoje em dia, aqueles que evangelizam, aderem a culturas religiosas já conhecidas são execrados, alvos de chacota. Ainda mais se forem jovens. Se fazem o mesmo com religiões diferentes de nossa cultura, são considerados seres elevados, pessoas melhores - ou, numa outra extremidade, porras-loca.
Ontem depois da sessão, voltei pra casa cantando/mentalizando o mantra; hoje estou trabalhando ao som do CD de mantras. Nunca teria paciência de fazer o mesmo com uma música ou um CD gospel/de música religiosa. Seria a adoração a Deus(es) algo tão vergonhoso que, quanto mais distante de nossa realidade - com uma maneira diferente de rezar, em outra língua e aderindo a outros costumes - mais fácil é?
E aí, concordam?
Comentem, opinem e proponham novas idéias. Agradeço!
Nessa sessão "Teoria" lançarei teorias pensadas por mim, diante de determinadas situações. Teoricamente, teorias, entendem? Quando vejo algo e começo a pensar sobre, idéias fazem 'pop!' na minha cabeça e coisas que (para mim) fazem sentido começam a surgir. Agora vou tornar públicas tais idéias, além de aceitar novas propostas para essa sessão.
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Começo com uma idéia que brotou ontem.
Resolvi participar de uma sessão de meditação coletiva. A sessão inicia-se com meia hora de "dança" para ativação da célula hipófise (?), que contribuirá para a concentração na meditação, que vem em seguida. Durante essa dança, emitimos um mantra, "Baba Nam Kevalam" (algo como "o amor de Deus está em tudo"). E aí vem minha teoria.
A aceitação de religiões orientais está cada vez maior hoje em dia. Obviamente, não tenho dados estatísticos, mas, como disse, não são teorias reais; são idéias. Essa minha impressão parte do círculo que frequento, das pessoas que conheço e de coisas que vejo. Enfim.
O que pensei é: visto essa maior aceitação de religiões estrangeiras e suas culturas, estaríamos nós fugindo de nossas religiões e culturas consagradas? E ainda: se sim, estaríamos nós fazendo isso porque a proclamação do divino, seu "evangelho" e tudo que se relaciona a essa religião é menos "vergonhosa" quando feita em uma língua ou a um modo que não um dominado por todos?
Hoje em dia, aqueles que evangelizam, aderem a culturas religiosas já conhecidas são execrados, alvos de chacota. Ainda mais se forem jovens. Se fazem o mesmo com religiões diferentes de nossa cultura, são considerados seres elevados, pessoas melhores - ou, numa outra extremidade, porras-loca.
Ontem depois da sessão, voltei pra casa cantando/mentalizando o mantra; hoje estou trabalhando ao som do CD de mantras. Nunca teria paciência de fazer o mesmo com uma música ou um CD gospel/de música religiosa. Seria a adoração a Deus(es) algo tão vergonhoso que, quanto mais distante de nossa realidade - com uma maneira diferente de rezar, em outra língua e aderindo a outros costumes - mais fácil é?
E aí, concordam?
Comentem, opinem e proponham novas idéias. Agradeço!
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Cadê a educação, São João?
Moro em São João del-Rei há exatos 1 ano e meio. Desde o primeiro dia, sabia que estava me mudando para 'um novo país'. Só sendo paulista e vindo pra Minas pra saber as diferenças encontradas aqui...
De início, antes de ofender meus colegas sãojoanenses, já aviso: não, Jundiaí/São Paulo não são perfeitos; sim, sou moradora daqui agora - mesmo que provisoriamente - e, portanto, não deveria nutrir essa revolta/repulsa tão grande com algumas coisas daqui. Mas, honestamente, não tenho o que fazer.
Logo quando mudei, percebi o descaso (bem grande, por sinal) em relação ao lixo. Num geral, as pessoas não se preocupam se o porão em seus portões assim que saem pra trabalhar, mas o caminhão que recolhe só passa perto das 16h/17h. Fazendo isso, não pensam nos (dezenas de) milhares cachorros de rua da cidade, que perambulam atrás de comida o dia todo e, sim, vão remexer seu lixo. Não bastando isso, a preocupação com separação do lixo reciclável ou o destino dado a ele é perto de nula. Um dos únicos meios de melhor cuidar desta questão é a Associação dos Catadores de Recicláveis de São João del-Rei (ASCAS), que praticamente mendiga atenção dos órgãos públicos.
E, então, a cidade fica cheia de lixo nos meios-fios, que são facilmente levados até as bocas-de-lobo/bueiros, onde concentram-se e causam, além do mau-cheiro, entupimentos, especialmente nas épocas de chuva. Quisera tal descaso ser somente com o lixo produzido dentro de casa...
Não é necessário andar muito para perceber a falta de lixeiras nas ruas da cidade. Especialmente nas ruas históricas, marco tão valorizado pelos moradores daqui. A quantidade de bitucas de cigarro, papéis dos mais variados - daqueles de bala às páginas de jornal -, caixas diversas e sacolas de supermercado, é incontável. Mais ainda estas últimas. Não se pode, realmente, esperar uma atitude diferente de uma cidade que nunca foi educada a ter onde jogar seu lixo enquanto anda pelas ruas.
Na semana retrasada, voltando de uma caminhada na Serra de São José, me fizeram evidente a volta à 'civilização'. Ao pé da serra, um casal namorava dentro do carro, ambos com seus 40 e poucos anos. Acho que interrompemos algo, eu e meus amigos que estavam juntos, e então a mulher acendeu rapidamente um cigarro. Mas era o último do pacote e ela, então, jogou o maço vazio pela janela. Aquilo me pareceu tão grotescamente errado que minha atitude normal diante de situações como esta - ficar olhando, às vezes recolher e balançar a cabeça em reprovação - foi potencializada. Parei ao lado do carro e olhei fundo no olho da mulher, que me devolveu o olhar com aquela cara de "Quequicêqué?!". Não senti que poderia enfrentá-la. Pensei na falta de educação pela qual ela deveria ter passado durante toda sua vida e segui. Andei e comecei a contabilizar o incontável: quantas vezes cenas iguais a essa já tinham acontecido na minha frente.
Esse é um caso ruim, pois a mulher poderia recolher seu maço vazio e levá-lo para casa, pra jogar no lugar certo. Ou, até mesmo, jogar em seu carro e esquecê-lo lá. E essa incongruência me remete às 07h43 de hoje.
Vindo trabalhar, sonolenta, com Criolo no fone e um passo lento, passei pela mesma rua de todo dia. Dia aberto, mas frio; dá vontade de olhar pro céu. Mas tinha um sobrado no meio do caminho. No meio do caminho tinha um sobrado. No sobrado, uma janela. Na janela, uma moça. Na mão da moça, um papel. Este, por sua vez, lançado no terreno baldio ao lado da casa dela.
Mais uma vez, atitude padrão: olho no olho dela - que estava longe demais para ela enchergar -, passando minha reprovação e a cabeça balançando exterioriza isso.
Nesse ponto, qual a justificativa? Ela estava dentro de casa, com mil saquinhos de supermercado, e, no mínimo, uma lixeira. E minha conclusão é que é simplesmente mais fácil, prático e rápido. Mas também é o pior, o errado e o inconsequente.
"É só um papel de bala"; "É só uma bituca". Todos pensando assim e teremos o inferno, viveremos no lixo. Cadê a educação, São João?
De início, antes de ofender meus colegas sãojoanenses, já aviso: não, Jundiaí/São Paulo não são perfeitos; sim, sou moradora daqui agora - mesmo que provisoriamente - e, portanto, não deveria nutrir essa revolta/repulsa tão grande com algumas coisas daqui. Mas, honestamente, não tenho o que fazer.
Logo quando mudei, percebi o descaso (bem grande, por sinal) em relação ao lixo. Num geral, as pessoas não se preocupam se o porão em seus portões assim que saem pra trabalhar, mas o caminhão que recolhe só passa perto das 16h/17h. Fazendo isso, não pensam nos (dezenas de) milhares cachorros de rua da cidade, que perambulam atrás de comida o dia todo e, sim, vão remexer seu lixo. Não bastando isso, a preocupação com separação do lixo reciclável ou o destino dado a ele é perto de nula. Um dos únicos meios de melhor cuidar desta questão é a Associação dos Catadores de Recicláveis de São João del-Rei (ASCAS), que praticamente mendiga atenção dos órgãos públicos.
E, então, a cidade fica cheia de lixo nos meios-fios, que são facilmente levados até as bocas-de-lobo/bueiros, onde concentram-se e causam, além do mau-cheiro, entupimentos, especialmente nas épocas de chuva. Quisera tal descaso ser somente com o lixo produzido dentro de casa...
Não é necessário andar muito para perceber a falta de lixeiras nas ruas da cidade. Especialmente nas ruas históricas, marco tão valorizado pelos moradores daqui. A quantidade de bitucas de cigarro, papéis dos mais variados - daqueles de bala às páginas de jornal -, caixas diversas e sacolas de supermercado, é incontável. Mais ainda estas últimas. Não se pode, realmente, esperar uma atitude diferente de uma cidade que nunca foi educada a ter onde jogar seu lixo enquanto anda pelas ruas.
Na semana retrasada, voltando de uma caminhada na Serra de São José, me fizeram evidente a volta à 'civilização'. Ao pé da serra, um casal namorava dentro do carro, ambos com seus 40 e poucos anos. Acho que interrompemos algo, eu e meus amigos que estavam juntos, e então a mulher acendeu rapidamente um cigarro. Mas era o último do pacote e ela, então, jogou o maço vazio pela janela. Aquilo me pareceu tão grotescamente errado que minha atitude normal diante de situações como esta - ficar olhando, às vezes recolher e balançar a cabeça em reprovação - foi potencializada. Parei ao lado do carro e olhei fundo no olho da mulher, que me devolveu o olhar com aquela cara de "Quequicêqué?!". Não senti que poderia enfrentá-la. Pensei na falta de educação pela qual ela deveria ter passado durante toda sua vida e segui. Andei e comecei a contabilizar o incontável: quantas vezes cenas iguais a essa já tinham acontecido na minha frente.
Esse é um caso ruim, pois a mulher poderia recolher seu maço vazio e levá-lo para casa, pra jogar no lugar certo. Ou, até mesmo, jogar em seu carro e esquecê-lo lá. E essa incongruência me remete às 07h43 de hoje.
Vindo trabalhar, sonolenta, com Criolo no fone e um passo lento, passei pela mesma rua de todo dia. Dia aberto, mas frio; dá vontade de olhar pro céu. Mas tinha um sobrado no meio do caminho. No meio do caminho tinha um sobrado. No sobrado, uma janela. Na janela, uma moça. Na mão da moça, um papel. Este, por sua vez, lançado no terreno baldio ao lado da casa dela.
Mais uma vez, atitude padrão: olho no olho dela - que estava longe demais para ela enchergar -, passando minha reprovação e a cabeça balançando exterioriza isso.
Nesse ponto, qual a justificativa? Ela estava dentro de casa, com mil saquinhos de supermercado, e, no mínimo, uma lixeira. E minha conclusão é que é simplesmente mais fácil, prático e rápido. Mas também é o pior, o errado e o inconsequente.
"É só um papel de bala"; "É só uma bituca". Todos pensando assim e teremos o inferno, viveremos no lixo. Cadê a educação, São João?
sábado, 30 de abril de 2011
Convenções para nos tornar convencionais
Conhece as convenções? Pois eu as odeio.
Sabe aquela coisa de que menininho é azul e menininha rosa? Sabe que mulher não pode (ou deveria, pelo menos) falar palavrão? Sabe que toooodos aqueles feriados religiosos ou comerciais deveriam ser passados em família? Sabe que não pode (ou deveria, pelo menos) perguntar a idade de alguém? Ou ligar na casa de outrém antes das 8h e depois das 22h? Sabe que são sempre os homens que pagam o cinema, abrem a porta e tem de ficar comportadinhos por um bom período até que a convenção dos meses em que se demora para adquirir o respeito e a intimidade com a menina se completem?
Isso tudo só serve pra tornar os relacionamentos frios e mecânicos. As atitudes passam sempre pelos filtros das convenções antes de serem efetivadas, o que faz que não sejam espontâneas e isso tira em muito o percentual de veracidade na vontade de fazê-la efetiva.
Além disso, as convenções, muitas vezes, fazem com que você se contente com elas e não com o que realmente queria fazer. Exemplo prático: o ano todo ninguém de determinada família faz questão de se ver; aquela coisa clichê de dizer que só se veem em aniversário ou velório - mas ninguém move uma palha pra mudar (e não é o caso da minha). Aí no Natal estão todos lá, bonitos e sorridentes, tentando se relacionar e contar um ano em, no máximo, três horas - que é o tempo de terminar de cozinhar a ceia e ficar aquele tempinho até a comida assentar.
Não lembro exatamente em que temporada e muito menos o episódio, mas acompanho a série 'How I Met Your Mother' - cujo vício, muito eficientemente, tenho passado pra frente - e numa determinada altura da corrida incessante do personagem principal da série - se é que temos isso ali - em conseguir sua tampa de panela, ele se encontra e começa a se relacionar com uma mulher que ele crê que é a dita cuja. Como todos conhecem, começo de relacionamento é um mar de rosas e ele, apaixonado como estava, queria estar sempre por perto, falando com a moça. Porém, numa intervenção de seus amigos, seus planos foram deixados de lado pela convenção do 'ligar só depois de três dias do primeiro encontro'. Por fim, o capítulo todo transcorre na ansiedade do fim dos três dias por parte do protagonista e então decide que não, não tem de passar por aquilo, que vai ligar a hora que bem entender, porque aquela que o correspondesse à altura ou de forma correspondente, seria the one.
Portanto, nos desprendamos das convenções! Elas só nos atrasam no viver puro, simples, lindo e verdadeiro, que deveria ser posto em prática a todo momento. Através das convenções, mais e mais pessoas sem-graça aparecem, mais e mais casais sem-sal e 'feios' se unem e mais e mais emoções são deixadas de ser sentidas.
Para se relacionar com as pessoas, tanto você quanto elas têm de chegar umas às outras da forma mais fiel possível, a fim de que não seja uma relação infundada e falsa. Se ao se mostrar de forma real as pessoas, ainda assim, se gostarem - e falo assim porque pessoas, num geral, são muito difíceis -, é sinal que foram feitas umas para as outras, no grau que for; são suas tampas de panela.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Jeneci, Jeneci
Nunca fiz isso aqui no blog, mas, ontem, vendo o Marcelo Jeneci no Programa do Jô, pensei 'poxa... eu PRECISO escrever sobre esse cara' porque ele é simplesmente sensacional e eu estou apaixonada.
Ontem, como todos os dias, eu acordei mais tarde do que queria - porque meu celular quebrou e eu não tenho como pô-lo pra despertar e minhas energias estão SUPERbaixas, então eu durmo muito. Atipicamente, fui comprar um pãozinho pra tomar café da manhã - coisa que nunca faço - e aproveitei pra comprar um marca-texto e chocolate; o dia estava lindo! Acordei tão bem...
Fui almoçar no centro ouvindo Metric e acho que não existe situação na qual eu me sinta mais feliz: fones, chinelos e roupas leves e andar andar andar. Almocei muito mal, mas encontrei o amigo mais querido que tenho em SJDR e voltamos juntos, conversando. Cheguei, dei um tempinho e comecei a estudar 'pauta' pra um seminário de hoje. Nunca fui tão eficiente! Quinze páginas em duas horas. (sei, não é um bom número, mas, pra mim, é pura eficiência!)
Terminados os estudos e chegada a hora de ir à faculdade, banho com músicas ótimas do aleatório do Media Player. Saindo para ir pegar carona, o mesmo amigo estava no barzinho em frente a minha casa e me chamou pra uma cerveja (gratuita) com seus amigos. Tenham a dimensão de quão lindo foi meu dia com o seguinte dado, leitores: promoção de ANTÁRTICA SUBZERO, R$1,75 A GARRAFA.
Na faculdade, uma aula maravilhosa sobre o funcionamento de uma redação; superesclarecedora! Estava me sentindo mais inteligente ontem, mais cognitivamente produtiva!
Voltei pra casa, pedi um lanche - caro e gordo, às 0h - e comi assistindo o Jornal da Globo - depois de já ter visto Divã (sensacional). Estava me preparando para dormir quando recebi um retweet na minha timeline do microblog: Marcelo Jeneci vai estar no programa do Jô hojeeeee! =D e aí não tinha mais como; não dormiria tão cedo!
Essa introdução toda foi só pra mostrar que meu dia foi lindo - porque também nunca fiz isso aqui. Mas ele ainda podia melhorar. Tive que ficar um tempo vendo o Eri Johnson no Jô, até que ele chamou o Jeneci - que teóricamente, seria o último a ser entrevistado. Então ele tocou 'Copo D'Água', terceira faixa do álbum homônimo (o CD mais lindo que já ganhei na vida; obrigada, Ro ♥) e provável atual música de trabalho.
O Jô, então, chamou ele para seu sofá. O homem que sentou lá não era nada do que eu imaginava. Aparentando uns 26 anos, um tanto quanto calvo e com uma barriguinha de chopp, chegou Marcelo Jeneci. Estava ansiosa! Só conhecia a voz dele e, ainda, no cd. Queria saber como ele ERA, não só fisica como psicologicamente, e aí veio a surpresa. Aquela pessoa que, para mim, aparentava uma personalidade ranzinza e, até, egoísta, se mostrou um tímido, humilde e sorridente moço, cuja voz era embalada de paixão ao contar histórias muito divertidas sobre sua vida.
E contou. E cantou. E me encantou mais ainda. Disse ao amigo que me avisou sobre a aparição no late show: SANFONEIRO? (pois foi assim que o Jô o apresentou na chamada da atração) não que eu vá brochar, mas quem assiste, já parou aí. Entretanto, tenho certeza que, quando viram o talento, a voz, a leveza e a paixão - visto que não há outra palavra que o defina mais - do moço Marcelo Jeneci, nem se lembraram desse deslize de limitá-lo a esse posto. Tenho certeza que todas as mocinhas, moças e mulheres que o viram tiveram vontade de dizer que largariam tudo 'se a gente se casar domingo' para o autor da canção!
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Cof, cof, cof
Não tem uma vez que eu saio de casa e não volto pra casa fedendo a cigarro, com o nariz coçando e me sentindo suja.
Eu sempre, infelizmente, só tive amigo que bebe e fuma. O 'beber' não é problema, obviamente, porque de vez em quando, eu também gosto. Além de que bebida só te deixa fedido quando você vira um copo de cerveja em você mesmo ou quando vomitam no seu pé.
Com cigarro é diferente. Você pode estar a metros de um grupo que fuma ou estar 'a favor do vento' quando sua amiga pede pra acompanhá-la na área de fumantes: de qualquer forma, o cheiro chega até você e te empreguina a roupa, o cabelo e o nariz.
Todo final de semana vou dormir morrendo de vontade de tomar uma banho, lavar o cabelo e dormir cheirosinha. Mas quem faz isso às quatro da manhã? Isso ainda é relevante ante a coceira incessante no nariz.
Pra quem tem rinite, o fato de sentir a fumaça do cigarro entrando no nariz compara-se ao cheirar uma carreira de ácaros e ficar naquele 'funga-funga' posterior, buscando aspirar até o último cm³.
Eu não pretendo, com esse texto, ser a amiga chata - já sendo. Só estou fazendo, com ele, uma indagação implícita: qual é a dificuldade de juntar uma 'caravana da fumaça', ir pra LONGE e fumar seu cigarro sem encher e sem encherem o seu saco? Um cigarro dura quanto, de cinco a dez minutos?
O assunto não vai se transformar totalmente se você sair da roda, você não será o anti-social d0 r0lê e o seu flerte não vai desandar se você se afastar da menina durante esses minutinhos. Muito pelo contrário, aliás.
Sem contar que você também vai, involuntariamente, fumar pouco, ficar menos fedido e insuportável :) haha.
Mais uma vez, não quero bancar a amiga-mala . Se o fosse, não sairia mais de casa, mas fica aí a dica.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Fulano de Tal de Oliveira Quatro!
Eu costumo dizer que, se não for mãe, não serei uma mulher completa. Se eu visito alguém com filho ou passo um diazinho sequer com meus primos, todos com três anos - aquela idade linda, que o bebê já mostra uma esperteza formidável -, volto pra casa suspirando e repetindo incessantemente 'preciso ser mãe'.
Por isso, é diversão pra mim cuidar, comprar roupinhas pra dar de presente, brincar com e, especialmente, imaginar os nomes para meus filhos. Eu deveria anotar todos que já passaram pela minha cabeça, porque a lista seria grande. Alice, Poliana e Maria Carolina, provavelmente, serão os nomes femininos nos quais pretendo bater o martelo. Amo nomes beem femininos para as menininhas e esses cumprem belíssimamente com o papel. Já para os machinhos, sempre gostei de nomes fortes e diferentes: Caetano, Bernardo, Zion e, até mesmo - por mais que nem mesmo nome isso seja -, Zeca.
Outro dia, conheci uma Poliana e comecei a pensar no quanto um nome influencia na personalidade das pessoas. Ela era irmã de uma amiga recém-conquistada na faculdade e começamos, as três, a discutir sobre isso. Na minha opinião, os nomes são os 'formadores' da personalidade; ao invés disso, elas creem que é a pessoa que te mostra características que você vai passar, a partir daí, a atribuir àquele nome.
Por exemplo: outro dia, na contra-capa da Superinteressante, tinha uma propaganda do vestibular do Senac, e eles usaram uma 'aluna' pra estrear. O nome dela era PAGU. Agora, me fala, você realmente acha que uma pessoa que se chama Pagu vai ser uma patricinha que faz administração numa faculdadezinha qualquer? (Sem preconceitos às patricinhas e/ou aos estudantes de Adm., hein? u_u) Ela tinha era que ser exatamente como era: toda alternativinha, cabelo repicado e tals e estudante de edição de vídeo! Não é perfeito?
Determinados nomes pedem determinadas atitudes. Eu sou muito Laís e meu amigo Léo (não, não é apelido) é super Léo, assim como minha mãe é Olga pra caramba e meu priminho lindo, Enzo, é um Enzo sem tirar nem por! haha.
A Poliana, por sua vez, era uma excessão à regra. Imagino uma coisa toda rosinha, menininha, mimimi... mas é meio difícil ver isso numa mulherona, boazuda com dois filhos pra criar! Minha amiga, Natasha, também se exclui dessa regra: pra mim é um nome extremamente rebelde e mais pão com ovo que ela, não existe! (te amo, amiga ♥ rere).
E o que você acha?
Se tiver mais nomes para 'analisarmos', mande nos comentários. Tenho certeza que te convenço com a minha teoria ;)
Um beijo!
domingo, 9 de janeiro de 2011
Aos 18.
Atenção!
Você está prestes a começar a leitura de um post que, provavelmente, não vá entender, tamanha a 'confusão' dele.
Assinado: a própria autora confusa.
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Minha teoria é que uma coisa puxa a outra. Mas começando do começo mesmo, assim como a Rebiscoito - minha mais nova... musa inspiradora, cujo blog tornou-se vício -, minha vida se baseia em amor. A ligação disso com o começo do parágrafo e do post eu vou (tentar) explicar agora.
Eu tenho dezoito anos, sou sustentada pelos meus pais e não sei ainda como me mantenho em pé com tanta insegurança dentro de mim. O fato de ter essa idade somado ao fato de depender financeiramente deles faz com que eu sinta o dever de dar a eles satisfação, se não de tudo, superficialmente de tudo que eu faço/farei/fiz.
Isso me leva a, de certa forma, temer meus planos e pensar e repensar sobre esses planos antes de fazê-los acontecer. Ou seja: dificilmente, eu posso 'meter a loca' e viajar com meus amigos ou ir pra um buteco tomar cerveja ou coisa que o valha. Claro que, por fazer faculdade longe e morar sozinha, as coisas mudam um tanto por lá. Arrisco dizer que sou uma pessoa em São João e outra em Jundiaí.
Por esse motivo, também me sinto um pouco tolhida de experiências; não sinto que a minha vida ainda seja uma coisa emocionante. Não que eu esperasse todas as aventuras e vivências de alguém com uma 'trajetória' já grande, mas digo que, se eu já posso pouco no auge da minha recém-atingida maioridade, isso é menor ainda dessa forma que eu vivo hoje. Ser dependente deixa a gente totalmente de mãos atadas.
E onde o amor entra nessa coisa toda? Eu julgo que a gente nunca vá achar um alguém legal não estando 'legal' com nós mesmos. E, na boa, quem se sente bem deixando os pais pobres todo mês, não conseguindo pôr em prática quase nada que quer e com tantos planos mal-estruturados na cabeça? Pois é...
Por isso os 22 anos. Aliás, isso me fez ver agora que, quando eu tinha uns 10 anos, eu e minha melhor amiga víamos os 18 como a idade mais linda do mundo... Mas, enfim, com 22 eu vou estar formada e vou me sentir pronta pra começar a caminhar com as minha próprias pernas, a trilhar o caminho que eu vou escolher, sem sentir esse peso da satisfação a dar. E, assim estando/ me sentindo, vou poder aproveitar bastante, tudo que quiser, o que me levará a mudar, a conhecer gente nova e conseguir AQUELE amor que eu sempre quis (mas que eu não vou contar aqui como é haha). O que espero, porém, é que suas determinadas variáveis não aconteçam somente daqui a três anos. 'Carro' não anda sem 'combustível'.
Um beijo.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Mente sã (e ignorante)
Estou num dos dias mais cognitivamente produtivos da minha vida. Uma conversa de duas horas no celular logo às oito da manhã, onde discuti sobre a mina de ouro das descobertas inovadoras (pleonasmo?), sobre filmes e diretores e escritores, sobre computadores, hackers, metrô e meu dedinho do pé esquerdo 'quebrado'. Foi assim que acordei, pra ligar o computador, ver orkut, twitter e e-mail antes de pensar como organizar meu dia - rotina diária (um tanto quanto vazia).
Abri o Word pra trabalhar - porque eis o fim de período enfiado em nossas fuças -, mas a minha cabeça estava muito a mil pra transformar meu caderno num portfólio. Tudo graças à leitura da notícia de que haitianos estavam alimentando-se de um biscoito que resulta da mistura de argila, água e sal - por que será que me fez pensar, não?
E não me permitiram parar de pensar. No msn, quiseram me fazer discutir a 'descoberta' da anti-matéria e a vida não-terrestre na Terra. Agora eu, que sempre valorizei o conhecimento, as discussões, o 'saber antes de falar' preferi a ignorância, o silêncio.
Não gosto de falar sobre tecnologia, o funcionamento do corpo humano e sobre o espaço (dos planetas, estrelas, galáxias, etc, etc, etc). Esses tópicos, pra mim, são como segredos, sobre os quais não deveria ser proferido nada. É aquele tipo de coisa que, quanto mais mexe, mais fede. Muito idiota o que eu vou falar agora, eu sei, mas muito melhor seria se tomássemos as verdades tidas até hoje como absolutas! Vai dar merda saber de onde surgiu a vida não-terrestre do lago da Califórnia; vai dar merda a descoberta de como foi o big bang; vai dar merda ler a bíblia e interpretar ela pros dias atuais e enchergar, em várias escrituras, sinais do 'fim dos tempos' nos dias atuais. Entende? Eu me sinto muito mal falando essas coisas; parece que eu sou uma burra, retrógrada e ignorante do caralho. Mas nesses aspectos, o 'não saber de nada' é melhor que o saber 'tudo'.
No que vai mudar saber se a bactéria do lago é de júpiter (sei lá!)? Pra onde vai levar o desenvolvimento do novo big bang? E quanto ao catolicismo, do jeito que andam as coisas - mudanças, escândalos e etc -, ao discutir-se a bíblia, logo todos os dogmas serão diluídos e a maior instituição do mundo vai acabar.
Eu sei que a bactéria vai ajudar à descoberta de vida em outros planetas, mas PRA QUÊ? Sei, também, que os cientistas do acelerador de partículas pretendem rebater teorias da origem do 'universo'. Mas imagine, você, que uma dessas 'teorias' é a desenvolvida pela - mais uma vez - maior instituição do mundo, a Igreja Católica. Pense na guerra que será.
Algumas coisas tendem à evolução que, quase sempre, é entendida como aprimoramento. Mas existem casos em que eu julgo ser melhor a ignorância, o 'deixar quieto e ver no que dá'. E, cá entre nós, em experiências próprias - não físicas, obviamente -, isso é o que mais resulta!
Um 'até breve' de uma Laís louca pra discutir com você!
domingo, 14 de novembro de 2010
Desculpo-me já ou espero o fim do texto?
Enfim... sumi e não pretendo fazê-lo novamente. Agora, mais do que nunca, sinto uma vontade incessante de exteriorizar meus pensamentos, de torná-los argumentos e pô-los em discussão.
Desde que cheguei a São João del-Rei, sinto meu poder de persuasão e discussão, meus conhecimentos, minha visão e meus argumentos, aumentarem. E desde então, é sempre essa sensação de 'cabeça pensante' e a vontade de fazê-la pensar mais e mais.
Confesso, também, que desde minha chegada, tive altos e baixos e, não somente uma vez, entreguei-me para os contras e quis desistir. Há algumas semanas sentia-me assim, até que começaram as atividades da I Semana Acadêmica de Comunicação Social - Jornalismo da UFSJ. Soou um tanto quanto propagandista esse meu trecho, porém foi realmente o que aconteceu.
No decorrer de nossa semana - que teve duração de somente três dias -, foram desenvolvidas quatro oficinas e, em cada dia, tivemos um palestrante na Universidade. No primeiro destes, recebemos José Eduardo Gonçalves, presidente da Rede Minas, emissora (diferenciada) de TV daqui do estado, cuja programação própria é a maior de Minas Gerais. Eu usei o 'diferenciada' pois, para início de conversa, o palestrante teve como inspiração para iniciar seu curso de Jornalismo na PUC-MG, em 1980, o também jornalista Vladimir Herzog, cuja morte completou 35 anos no início da semana anterior a palestra. Vladimir foi assassinado nos porões do DOI-CODI por agentes da ditadura depois de descoberta sua ligação com o Comunismo. Ou seja, José Eduardo respira revolução e isso é transparecido na programação de sua emissora. Esta conta com programação extremamente cult, se comparada às atuais TVs, praticamente em sua totalidade voltadas à programação comercial. É evidente a ânsia por mudança presente da Rede Minas.
O diretor falava com muita calma, mas o que dizia chegou a mim como uma chuva de meteoros. Consegui sentir a paixão com que ele descrevia toda sua caminhada dentro dessa profissão tão privilegiada, a qual escolhi. Foi através de suas palavras que tive certeza que o que tenho estudado e aprendido é o que quero para minha vida; é nesta área que quero me aprofundar e aprender cada dia mais, exercendo. Essa possibilidade de poder fazer o que eu gosto, modificando ao meu redor e fazendo história, ficou evidente nas palavras de José Eduardo. E era disso que eu precisava, desse gás. Agora sei que só depende de mim - como já havia há tanto se evidenciado. Sinto que estou pronta pra todo o resto de curso, surjam as adversidades que surgirem. Sei que outros 'baixos' aparecerão, mas a recompensa que obterei por desviá-los, será indescritível.
Ao fim da palestra, foram abertos alguns minutos para perguntas dos colegas. O palestrante, então, foi questionado sobre quais são os requisitos para que um aspirante a jornalista faça parte do grupo Rede Minas. A resposta foi simples e não poderia ter sido mais verdadeira: "um dos únicos requisitos são o brilho no olho." Preciso falar mais alguma coisa?
"Jornalismo é quase uma profissão como qualquer outra. O que a diferencia, é que esta pode fazer a diferença e faz."
José Eduardo Gonçalves
Um 'até breve' de uma Laís renovada.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Conscientização e Compaixão.
Sou vegetariana há três anos. Tudo começou quando eu ia pra escola e, infelizmente, acabei por passar de ônibus ao lado de um destes caminhões que levam frangos pro abate. Eu já "procurava" algum motivo a mais para ser vegetariana, e foi nesse dia que o encontrei.
Como relatado por diversas pessoas que já visitaram fazendas de engorda para abate, naquelas caixinhas de levar frangos para o matadouro, são colocados muito mais espécies do que o cubículo comporta. Sem contar, obviamente, o "aperto" maior ainda devido ao tamanho que os frangos são forçados a atingir para que sejam bons produtos para consumo.
Posso citar, também, as condições precárias onde os animais são mantidos. Como uma espécie de cadeia, centenas (milhares, talvez?) de galinhas são mantidas somente com seus pescoços pra fora, com o intuito de que suas vidas resumam-se à engorda. Pelo estresse que isso causa, muitas seriam as "brigas" dentro destas gaiolas e, assim, para que isso não ocorra, os donos dos animais cortam-lhe os bicos. Com o ganho de peso excessivo e abrupto, diversas galinhas não conseguem levanta-se do chão, pois seus pés não comportam o peso que carregam.
E isso são só as galinhas! O animal passa por todo esse processo estressante, doloroso e sujo para chegar até às mesas em forma de franguinho desfiado, filet de frango grelhado e o famoso chester do Natal. Tratando-se de nuggets é ainda pior, visto que em sua composição, somente os restos de carnes inutilizáveis pela indústria e, muitas vezes, até mesmo unhas e pelos, são utilizados.
Com a carne vermelha - bois, vacas, vitellas, cordeiros, cavalos, etc, etc, etc -, as cenas do abate potencializam-se, provavelmente, pelo tamanhos dos animais que são mortos diariamente. A crueldade para fazê-lo é intensa. Animais mortos ainda com sinais vitais, rabos quebrados e machucados feitos durante o trajeto para o matadouro. Assim como no caso dos galináceos, os restos de carne também são reaproveitados, e tornam-se carne moída (com diversas partes do animal e, novamente, muito corriqueiramente, pelos deste) e salsichas.
Na indústria da carne vermelha o abuso é grande, também, externamente aos galpões de abate. Os bois tornam-se figura de entretenimento nos rodeios e feiras. Entretenimento, mais uma vez, resultado de seu sofrimento e medo. Vaquinhas são "enclausuradas" e têm hormônios injetados em grande quantidade para que deem conta da demanda das indústrias de produção de laticínios. Seus filhotes são tirados muito precocemente de si para tornarem-se baby beefs.
Porcos gritam do momento em que entram na fila para o abate até o momento em que tomam choques para que seus sinais vitais diminuam significantemente. Mas, que fique bem claro, NÃO PARA QUE MORRAM, porque não morrem, mas, sim, SÃO mortos.
Imagine-se, então, agora preso pelo pé dentro de um tanque de água, onde não consegue chegar à superfície e, consequentemente, não consegue respirar. É assim que o peixe se sente ao ser pescado. Aquela idéia de que "um anzol na pele do peixe é como um aranhão na nossa pele" só serve pra anestesiar nosso arrependimento. A morte do peixe é por sufocamento. Imagine-se na mesma situação.
Ser vegetariano é isso: desenvolver em você a habilidade de entender que A VIDA DO ANIMAL, PRA ELE, É TÃO IMPORTANTE QUANTO A SUA PRA VOCÊ. Ele não merece ser tratado com inferioridade. Sem contar que, em nossa cultura, somente os "comestíveis" são vistos com inferioridade, enquanto muitos são os pets com tratamento luxoso.
Eu não nasci vegetariana. Foi na internet que descobri a quantidade de informações que eu sempre tive à minha disposição e nunca procurei. Porém, nunca é tarde pra se desenvolver a compaixão, o senso... Sou muito melhor hoje em dia e tenho orgulho de dizer que não financio a indústria do sofrimento animal para meu bel-prazer.
Alguns links úteis:
http://vista-se.com.br/redesocial/
http://www.sejavegetariano.com.br/
http://www.youtube.com/results?search_query=a+carne+%C3%A9+fraca&aq=2
http://www.youtube.com/watch?v=AKCblkTQCFU&feature=related
INFORME-SE!
Como relatado por diversas pessoas que já visitaram fazendas de engorda para abate, naquelas caixinhas de levar frangos para o matadouro, são colocados muito mais espécies do que o cubículo comporta. Sem contar, obviamente, o "aperto" maior ainda devido ao tamanho que os frangos são forçados a atingir para que sejam bons produtos para consumo.
Posso citar, também, as condições precárias onde os animais são mantidos. Como uma espécie de cadeia, centenas (milhares, talvez?) de galinhas são mantidas somente com seus pescoços pra fora, com o intuito de que suas vidas resumam-se à engorda. Pelo estresse que isso causa, muitas seriam as "brigas" dentro destas gaiolas e, assim, para que isso não ocorra, os donos dos animais cortam-lhe os bicos. Com o ganho de peso excessivo e abrupto, diversas galinhas não conseguem levanta-se do chão, pois seus pés não comportam o peso que carregam.
E isso são só as galinhas! O animal passa por todo esse processo estressante, doloroso e sujo para chegar até às mesas em forma de franguinho desfiado, filet de frango grelhado e o famoso chester do Natal. Tratando-se de nuggets é ainda pior, visto que em sua composição, somente os restos de carnes inutilizáveis pela indústria e, muitas vezes, até mesmo unhas e pelos, são utilizados.
Com a carne vermelha - bois, vacas, vitellas, cordeiros, cavalos, etc, etc, etc -, as cenas do abate potencializam-se, provavelmente, pelo tamanhos dos animais que são mortos diariamente. A crueldade para fazê-lo é intensa. Animais mortos ainda com sinais vitais, rabos quebrados e machucados feitos durante o trajeto para o matadouro. Assim como no caso dos galináceos, os restos de carne também são reaproveitados, e tornam-se carne moída (com diversas partes do animal e, novamente, muito corriqueiramente, pelos deste) e salsichas.
Na indústria da carne vermelha o abuso é grande, também, externamente aos galpões de abate. Os bois tornam-se figura de entretenimento nos rodeios e feiras. Entretenimento, mais uma vez, resultado de seu sofrimento e medo. Vaquinhas são "enclausuradas" e têm hormônios injetados em grande quantidade para que deem conta da demanda das indústrias de produção de laticínios. Seus filhotes são tirados muito precocemente de si para tornarem-se baby beefs.
Porcos gritam do momento em que entram na fila para o abate até o momento em que tomam choques para que seus sinais vitais diminuam significantemente. Mas, que fique bem claro, NÃO PARA QUE MORRAM, porque não morrem, mas, sim, SÃO mortos.
Imagine-se, então, agora preso pelo pé dentro de um tanque de água, onde não consegue chegar à superfície e, consequentemente, não consegue respirar. É assim que o peixe se sente ao ser pescado. Aquela idéia de que "um anzol na pele do peixe é como um aranhão na nossa pele" só serve pra anestesiar nosso arrependimento. A morte do peixe é por sufocamento. Imagine-se na mesma situação.
Ser vegetariano é isso: desenvolver em você a habilidade de entender que A VIDA DO ANIMAL, PRA ELE, É TÃO IMPORTANTE QUANTO A SUA PRA VOCÊ. Ele não merece ser tratado com inferioridade. Sem contar que, em nossa cultura, somente os "comestíveis" são vistos com inferioridade, enquanto muitos são os pets com tratamento luxoso.
Eu não nasci vegetariana. Foi na internet que descobri a quantidade de informações que eu sempre tive à minha disposição e nunca procurei. Porém, nunca é tarde pra se desenvolver a compaixão, o senso... Sou muito melhor hoje em dia e tenho orgulho de dizer que não financio a indústria do sofrimento animal para meu bel-prazer.
Alguns links úteis:
http://vista-se.com.br/redesocial/
http://www.sejavegetariano.com.br/
http://www.youtube.com/results?search_query=a+carne+%C3%A9+fraca&aq=2
http://www.youtube.com/watch?v=AKCblkTQCFU&feature=related
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